21/07/2026

O COBRA 1400


Prosseguindo com a postagem nesse blog criado pelo colega Sylvio - a qual agradecemos a disponibilidade do espaço - vou abordar um item de nossa história da TI que infelizmente está praticamente perdido - o computador Cobra 1400.

Em 1996 quando entramos no TRE, os que era do cargo 'Operador de Computador' como eu foram designados para trabalhar nessa uma maquina de 'grande porte', que funcionava com uma estrutura cliente-servidor e possuía vários terminais de acesso Cobra 210 espalhados pelo TRE e até interior do estado, via conexão por modem. O Cobra era imenso e exigia uma sala super refrigerada bem como um circuito de alimentação próprio, tal seu tamanho e potência. Era uma maquina que usava um sistema operacional de time-sharing e operava por batches, que eram colocados em fila. Não sei o nome do SO, mas tudo indica que fosse uma variante do AOS/VS. O Cobra possuía uma console ligada diretamente a ele, onde digitávamos os comandos em uma tela escura. Interface gráfica? Nem em sonho. O Cobra tinha duas unidades de fita, que operavam com fitas magnéticas com diâmetro de 27 cm, eram em rolos iguais aqueles que víamos nos filmes ruins de ficção científica dos anos 60/70. A gravação nessas fitas - operações de backup/restore - as vezes demoravam até dias, sendo comum iniciarmos o procedimento em um dia só para terminar no outro.

Em conjunto com o Cobra operava uma impressora de linha, que era usada para imprimir títulos de eleitor e outros documentos. Essa impressora operava por 'martelos' que batiam em uma cinta de aço giratória de alta velocidade onde estavam os caracteres, que chocavam-se por sua vez com uma fita de tinta e assim os caracteres eram transferidos para o papel. A impressora  imprima uma linha inteira de uma vez, e era muito rápida - até mesmo para os padrões de hoje (2026).

Tal como o SO, não temos registros do sistema e sua arquitetura. Sabemos que o Cobra - que naquela época estava protegido pela reserva de mercado de informática e estava na categoria de supermini - era um versão  fabricada sob licença de um computador  (da linha Eclipse MV/8000?) da empresa norte-americana  Data General. 

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Um terminal do Cobra, o Cobra 210. Note os drives de disquete;
foto internet

O Cobra 1400 tinha uma aparencia parecida, só que as fitas ficavam na horizontal.



Fita magnética de "rolo" usada no Cobra 1400;
foto internet


 Uma das coisas mais impressionantes que eu achava era a forma arcaica de transferência de arquivos entre ambientes diferentes: pelo PC entravamos no Cobra1400 via emulador - conexão serial? - e mandávamos um comando que dava uma espécie de "type" no arquivo (comando DOS que listava o conteúdo do arquivo)  e o conteúdo era listado lentamente na tela - as vezes demorava várias horas -  e esses caracteres que passavam pela eram "salvos" no PC, ao fim tínhamos que digitar um comando que fechava o arquivo, se não fizéssemos isso perdíamos o trabalho e tinha de começar de novo. Era uma trabalheira danada para baixar o cadastro de eleitores, etc. 

No fim, o velho Cobra foi aposentado e teve um destino indigno: uns dizem que foi doado ao Grupamento de Engenharia, outros dizem que foi enviado para descarte. Triste fim de um equipamento único no Brasil.





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